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Quem é a Blaze

De Curaçao para o seu celular

A Blaze se apresentava como marca jovem, patrocinadora do futebol brasileiro. Por trás dela há uma empresa registrada em Curaçao, ilha do Caribe que faz parte do Reino dos Países Baixos. E, segundo uma investigação jornalística holandesa, os donos são estrangeiros.

Dossiê · BlazeAtualizado em 22/10/2026
Marca
Blaze blaze.com e sites espelho; desde 2025, blaze.bet.br
Empresa no exterior
Prolific Trade N.V. (Curaçao) Licença de jogo de Curaçao
Empresa no Brasil
Foggo Entertainment Ltda. CNPJ 56.431.248/0001-61 · São Paulo · aberta em ago/2024, controlada indiretamente pela Prolific Trade (Receita Federal)
Donos
Um holandês e um norte-americano, segundo o Follow the Money Investigação “Casino Secrets” (setembro e outubro de 2026), com base em arquivos vazados do regulador de Curaçao. A empresa não comenta; o holandês se recusou a responder.
Autorização no Brasil
Só em 2025 Portaria SPA/MF nº 471, de 10/03/2025. Antes disso, operou do exterior, sem autorização.
Usuários
“Mais de 25 milhões” no Brasil Número informado pela própria Blaze à Justiça, em 2023
Dinheiro em 2025
R$ 11 bi em depósitos · R$ 361 mi de lucro Janeiro a novembro, com R$ 330 milhões gastos em publicidade, segundo documentos obtidos pela Folha
Patrocínios
Botafogo (2022), Santos (2023 a 2025), Atlético-GO (2023 a 2026)
Situação hoje
Bets proibidas pela MP 1.394/2026 Sites fora do ar desde 06/10; as autorizações terminam em 25/10/2026. A MP ainda depende do Congresso e do STF.

Fontes: Follow the Money · Curaçao Chronicle · Receita Federal (CNPJ) · Ministério da Fazenda · Folhapress · Focus GN · Agência Senado

Siga o dinheiro

VocêDepósito via Pix, cartão ou boleto
Intermediadoras de pagamentoOs depósitos passavam por empresas de pagamento. Em 2023, o Procon-SP notificou duas delas sobre a ligação com a Blaze.
Foggo Entertainment · São PauloDesde 2024. Em 2025, enviou R$ 350 milhões à controladora no exterior (Folha).
Prolific Trade N.V. · CuraçaoEmpresa por trás da Blaze, num território do Reino dos Países Baixos.
DonosUm holandês e um norte-americano, segundo o Follow the Money.

Fontes: Agência Brasil/IstoÉ · Folhapress · Follow the Money

Linha do tempo

De patrocinadora do futebol à proibição das bets.

  1. Blaze diz ter sido fundada

    Documentos citados pelo Follow the Money indicam que o projeto começou em 2018.

  2. Patrocínio master do Botafogo

    A marca entra de vez no futebol brasileiro.

  3. Neymar vira “embaixador global”

    Contrato de quatro anos anunciado pela Blaze.

  4. Patrocínio master do Santos

    Cerca de R$ 45 milhões por dois anos, segundo a imprensa.

  5. Justiça de SP manda bloquear o site

    Investigação da Polícia Civil; cerca de R$ 101 milhões congelados. A Blaze divulgou “sites espelho”.

  6. Apostadores relatam prêmios não pagos

    Reportagem do Fantástico. O Procon-SP notifica empresas de pagamento ligadas à Blaze.

  7. TJSP derruba o bloqueio

    O tribunal não viu prova de organização criminosa; depois, o Ministério Público pediu o arquivamento dos inquéritos.

  1. Virginia Fonseca e empresa no Brasil

    A Blaze contrata Virginia e abre a Foggo Entertainment em São Paulo.

  2. Autorização federal

    Só então a Blaze passa a ter autorização para operar no Brasil.

  3. CPI das Bets

    Virginia depõe; o relatório que pedia o indiciamento dela é rejeitado por 4 a 3.

  4. MPDFT processa a Blaze e Virginia

    Mais de 42 mil reclamações. A Fazenda multa a Blaze em R$ 2,3 milhões por anúncios voltados a crianças.

  5. Donos revelados, AGU processa, bets proibidas

    Vazamento em Curaçao aponta os donos; a AGU pede R$ 1 bilhão a 17 empresas, incluindo a Blaze; a MP 1.394 proíbe as bets.

  6. Fora do ar

    Sites desligados em 06/10; as autorizações terminam em 25/10. O dinheiro perdido continua com a Blaze.

Fontes: Gazeta Esportiva · Máquina do Esporte · O Globo/Diário do Nordeste · Money Times · Revista Oeste · Agência Senado · Poder360

Na Justiça

A Blaze já está na mira

Ministério Público, governo federal e tribunais já agem contra a Blaze. Veja o que está em andamento e o que já foi decidido.

  • MPDFT
    Em andamento

    Ação civil pública contra a Blaze e Virginia Fonseca

    Proposta em julho de 2026, após mais de 42 mil reclamações. Pede ao menos R$ 120 milhões por danos morais coletivos e a devolução em dobro de valores. Uma liminar do TJDFT proibiu anúncios com promessa de ganho.

    Poder360 · Poder360 (liminar) · Metrópoles

  • AGU
    Em andamento

    Ação contra 17 empresas de apostas, incluindo a Blaze

    Proposta em 28/09/2026 na Justiça Federal de Pernambuco. Pede ao menos R$ 1 bilhão por danos coletivos, ressarcimento ao SUS e devolução em dobro a apostadores com diagnóstico de ludopatia.

    Migalhas

  • TJPE
    Vitória do apostador

    Blaze condenada a devolver em dobro R$ 200 mil retidos

    Em abril de 2026, o Tribunal de Justiça de Pernambuco mandou a Foggo/Blaze devolver em dobro o saldo de R$ 200.621,22 que tirou da conta de um usuário. Cabe recurso.

    Metrópoles

  • Ministério da Fazenda
    Multa aplicada

    R$ 2,3 milhões por publicidade voltada a crianças

    Anúncios da Blaze em 33 vídeos de um canal infantil no YouTube, entre março e julho de 2025. Cabe recurso. Segundo a imprensa, a Fazenda também apura se a Blaze descontou indevidamente R$ 477 milhões em bônus da receita declarada; a empresa diz seguir as normas.

    Diário do Comércio/Folhapress · BP Money

Ver outros processos e investigações (3)
  • Justiça do RJ
    Em andamento

    Influenciadores obrigados a mostrar contratos

    Na ação de um apostador, a Justiça mandou Neymar, Felipe Neto, Jon Vlogs, Juju Ferrari e Nanna Chara apresentarem seus contratos com a Blaze (set/2024).

    Focus GN

  • Senado
    Encerrada

    CPI das Bets

    Aprovou a convocação do presidente da Blaze (nov/2024), mas o relatório final, que pedia 16 indiciamentos, foi rejeitado por 4 a 3 em junho de 2025.

    Agência Senado

  • Polícia Civil e Justiça de SP
    Arquivado

    Bloqueio do site em 2023

    A Justiça de SP mandou bloquear a Blaze e congelou cerca de R$ 101 milhões. Em 2024, o TJSP derrubou o bloqueio por falta de prova dos crimes investigados, e o Ministério Público pediu o arquivamento. A Blaze nega irregularidades.

    Revista Oeste · Jurinews

Chegou a hora de a Blaze pagar a conta.

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